quarta-feira, julho 02, 2014

Um movimento


                                    Ventos



                                    movimentam-se as palavras
                                           coreografadas no vento

                              fios de  espuma vestem poemas.
                              correm os séculos, não apagam
                                as estrelas no céu do meu país.

                             veias
                             são laços
                             no peito.

                                                    na linha do tempo
                                               não morrem as águas.
                                               ondas namoram o sol.

             a deusa louca dança.
            giram olhos e braços

   uma flecha transpassa, fere o corpo.
   minúscula pedra expulsa o pulmão.

quarta-feira, maio 28, 2014

Arvorar

                               

                   

                               arvorar  arar 

                     a  terra   o   tempo
                                       
                                  
                 a flo                 no  ar 
                 r a r          
                                  v

                        a               ilha

                                mar

domingo, dezembro 29, 2013

Promessas






Sentirás a angústia do poema,
com o cheiro do vinho mais caro,
quando faltar  a chuva e o sol.

Viverás um ano de luz e glórias.
Continuarás à espera das cores,
dias bordados, horas sem sal.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Na Sala

Não sei se te beijo numa sexta-feira,
40 graus, num final de novembro.

Resta-me a espera das certezas
das horas iluminadas em dezembro. 

Nos meus abraços cabem teu corpo,
na distância, ardem meus lábios... 

Decifro medos e desejos 
no fundo dos teus olhos.

Encontro verdades e fingimento,
dores e saudades, alegria e tormento.

Nuvens transportam segredos,
revelam-se as flores nas manhãs,
dentro das salas onde te espero

quarta-feira, novembro 06, 2013

Ao Vento


                          Quando voltares, nada direi.
                    Ouvirás silêncios e uma canção
                    no vento.

                    Há flores colhidas no orvalho.
                   O céu está aberto. Estrelas
                   chegam às mãos.
                  
                                                             Cansado de esperas, recolho os fios
                                                             do tempo e as promessas de nuvens.

                                                              {A casa exala perfumes e palavras}.

                                                           Os olhos esperam as cores do mundo.
                                                           Apago as dúvidas no peito e na face;

                                                       poemas são aves. Voam acima dos mares.

sexta-feira, outubro 11, 2013


Gênese e Causa


Qual a medida dos corpos no espaço?
De onde viemos? Para onde vamos?

{Descrevem os poetas a eternidade}.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Quando Setembro Passa



As flores deixam perfumes
nas mãos cansadas de lutas.

Brilham as pedras,
refletem as horas,
o suor e o sono.

As almas mais puras
ouvem o sol, os pássaros
e os homens.


As crianças colhem
sonhos, desfiam
nuvens e manhãs.

Setembro guarda
nos lábios dos deuses
mil poemas bordados
em nuvens.

sábado, setembro 21, 2013

Destino





Afago tuas mãos; vejo marcas e traços do destino. 
Ouço a agonia das flores e o grito do fruto amargo.

{ Augusto dos Anjos cospe e tosse nos quintais}.

Teus olhos no rosto fino, faz sombras ao riso largo;
Vejo no lixo poemas escritos na lâmina dos punhais.

sexta-feira, agosto 16, 2013

A Índia Mony

A índia Mony
tatuava o corpo
com plumas de ema
e pavão.

Adornava os seios,
colares de dentes,
pulseiras de capim,
unhas de gavião.

Adormecia ouvindo
o canto das selvas;
estrelas iluminavam
a palma da mão.

O corpo despido,
Iluminava cavernas;
acima das nuvens
ouvia a manhã.

Seus dedos buliam
as ondas do mar,
e os cabelos adornados
com fios de lã.


Duendes gulosos
dormiam em taperas;
não viam perigos
no meio das feras.


Escondiam nas grutas,
cestas de assados
doces e frutas.

A índia Mony ouvia
perto e longe
poemas de amor,

nos lábios do índio,
que imitava cavalos,
trotando nas pedras.

Cheio de calos,
andava a mancar
e sempre a dizer:

'pocotó', 'pocotó',
'pocotó'...

Cansada de ser só,
movia os cabelos
no meio do pó.

Ao amanhecer,
bem longe ouvia:
'Pocotó' 'Pocotó...'

O sol nascia
entre as folhas,
flores e ervas.

Índios jovens e velhos
voltaram a pescar,
e correr.

A índia Mony
tornou-se mulher.

A tribo inteira
dançava na chuva,
celebravam a união
da lua e do sol.

Versos de amor
surgiam das águas,
no meio do tempo,
e do pó.


A índia Mony
soltou os cabelos,
neles deu um nó.

De todos os cantos
os ventos sopravam.


A índia Mony,
cheia de encantos,
encontrou o amor
de Pocotó.



domingo, agosto 11, 2013

Poema no meio de agosto

  Agosto em festa.                                       
  Disfarço a solidão.                                  As pedras guardam
  Os dedos afastam                                       palavras.
  fantasmas...                                                  Relógios marcam o medo
  traçam trilhas                                                  nos lábios o vermelho romã.
  na floresta.



                    







 

sábado, agosto 10, 2013

São espelhos os olhos de Norma.


Não veem o céu, o sol, o mar.


A fúria dos ventos

arrasta as pedras;

Norma rodopia no tempo,

morre na poeira;os olhos
soltam-se da face,
quebram-se no ar.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Ecopoema




um poema  no espaço
sopra nuvens de poeira,
chumbo e aço.

domingo, agosto 04, 2013

A Porta

A Porta

a porta aberta
esconde a solidão

o vento corta 
o pelo exposto
entorta a mão.

a tarde exporta o medo
a lágrima em pasta arde
escorre sangue a ilusão.

uma fratura exposta
exala podridão

algo estranha o meio
entre o sim e o não.

quinta-feira, junho 06, 2013

Os olhos de Norma



São espelhos os olhos de Norma.
Não veem o céu, o sol, o mar.

os ventos arrastam,
árvores e sonhos.

Norma rodopia no tempo,
morre na poeira;os olhos
soltam-se da face,
quebram-se no ar.

domingo, junho 02, 2013

As Horas



Como nuvens,
as horas chegam
aos olhos

e passam.

Sonhos
vestem 
manhãs.

No azul
dorme

o amor
no fundo
da alma.

quinta-feira, maio 30, 2013

Os Sinos



Amores não  ouvem os sinos das manhãs,
 onde guardo as flores e fecho meus olhos.

sábado, março 30, 2013

Quarto vazio


quero ouvir teu pulso
um  hard insulto

um encontro: baixos
pianos e tambores

a voz imposta
embala o jazz

 no coração
 teu nome bate
 cheio/dentro

vibra no peito
desejo insano.

dança o corpo inteiro
ouve o amor soprar
a poeira escura
 do quarto  vazio.

sexta-feira, março 08, 2013

Março





Marcam os minutos
a espera do quarto gole
da cachaça diária...

Os olhos expostos,
esperam à mesa,
a toalha de linho, 
as frutas e o pão...


Os dias bolem...

recolhem
o limite das horas.
de ansiedade,
 e medo.

 A poesia é farta.
Não descarta
a rima  na poeira
deixada ao  vento.

Ébrios, os poetas
retornam à mesa,
resgatam  as cartas
coladas nas portas.


terça-feira, dezembro 25, 2012

Não me abandones agora

Não me abandones agora.
Não há espaço, nem hora.


Espero que venhas aos lugares
onde habito e escrevo poemas.