sábado, setembro 21, 2013

Destino





Afago tuas mãos; vejo marcas e traços do destino. 
Ouço a agonia das flores e o grito do fruto amargo.

{ Augusto dos Anjos cospe e tosse nos quintais}.

Teus olhos no rosto fino, faz sombras ao riso largo;
Vejo no lixo poemas escritos na lâmina dos punhais.

sexta-feira, agosto 16, 2013

A Índia Mony

A índia Mony
tatuava o corpo
com plumas de ema
e pavão.

Adornava os seios,
colares de dentes,
pulseiras de capim,
unhas de gavião.

Adormecia ouvindo
o canto das selvas;
estrelas iluminavam
a palma da mão.

O corpo despido,
Iluminava cavernas;
acima das nuvens
ouvia a manhã.

Seus dedos buliam
as ondas do mar,
e os cabelos adornados
com fios de lã.


Duendes gulosos
dormiam em taperas;
não viam perigos
no meio das feras.


Escondiam nas grutas,
cestas de assados
doces e frutas.

A índia Mony ouvia
perto e longe
poemas de amor,

nos lábios do índio,
que imitava cavalos,
trotando nas pedras.

Cheio de calos,
andava a mancar
e sempre a dizer:

'pocotó', 'pocotó',
'pocotó'...

Cansada de ser só,
movia os cabelos
no meio do pó.

Ao amanhecer,
bem longe ouvia:
'Pocotó' 'Pocotó...'

O sol nascia
entre as folhas,
flores e ervas.

Índios jovens e velhos
voltaram a pescar,
e correr.

A índia Mony
tornou-se mulher.

A tribo inteira
dançava na chuva,
celebravam a união
da lua e do sol.

Versos de amor
surgiam das águas,
no meio do tempo,
e do pó.


A índia Mony
soltou os cabelos,
neles deu um nó.

De todos os cantos
os ventos sopravam.


A índia Mony,
cheia de encantos,
encontrou o amor
de Pocotó.



domingo, agosto 11, 2013

Poema no meio de agosto

  Agosto em festa.                                       
  Disfarço a solidão.                                  As pedras guardam
  Os dedos afastam                                       palavras.
  fantasmas...                                                  Relógios marcam o medo
  traçam trilhas                                                  nos lábios o vermelho romã.
  na floresta.



                    







 

sábado, agosto 10, 2013

São espelhos os olhos de Norma.


Não veem o céu, o sol, o mar.


A fúria dos ventos

arrasta as pedras;

Norma rodopia no tempo,

morre na poeira;os olhos
soltam-se da face,
quebram-se no ar.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Ecopoema




um poema  no espaço
sopra nuvens de poeira,
chumbo e aço.

domingo, agosto 04, 2013

A Porta

A Porta

a porta aberta
esconde a solidão

o vento corta 
o pelo exposto
entorta a mão.

a tarde exporta o medo
a lágrima em pasta arde
escorre sangue a ilusão.

uma fratura exposta
exala podridão

algo estranha o meio
entre o sim e o não.

quinta-feira, junho 06, 2013

Os olhos de Norma



São espelhos os olhos de Norma.
Não veem o céu, o sol, o mar.

os ventos arrastam,
árvores e sonhos.

Norma rodopia no tempo,
morre na poeira;os olhos
soltam-se da face,
quebram-se no ar.

domingo, junho 02, 2013

As Horas



Como nuvens,
as horas chegam
aos olhos

e passam.

Sonhos
vestem 
manhãs.

No azul
dorme

o amor
no fundo
da alma.

quinta-feira, maio 30, 2013

Os Sinos



Amores não  ouvem os sinos das manhãs,
 onde guardo as flores e fecho meus olhos.

sábado, março 30, 2013

Quarto vazio


quero ouvir teu pulso
um  hard insulto

um encontro: baixos
pianos e tambores

a voz imposta
embala o jazz

 no coração
 teu nome bate
 cheio/dentro

vibra no peito
desejo insano.

dança o corpo inteiro
ouve o amor soprar
a poeira escura
 do quarto  vazio.

sexta-feira, março 08, 2013

Março





Marcam os minutos
a espera do quarto gole
da cachaça diária...

Os olhos expostos,
esperam à mesa,
a toalha de linho, 
as frutas e o pão...


Os dias bolem...

recolhem
o limite das horas.
de ansiedade,
 e medo.

 A poesia é farta.
Não descarta
a rima  na poeira
deixada ao  vento.

Ébrios, os poetas
retornam à mesa,
resgatam  as cartas
coladas nas portas.


terça-feira, dezembro 25, 2012

Não me abandones agora

Não me abandones agora.
Não há espaço, nem hora.


Espero que venhas aos lugares
onde habito e escrevo poemas.
 

domingo, julho 22, 2012

Sara Vaughan


O sol ilumina a alma.
Pássaros ouvem nuvens.
 dentro das horas...

As mãos escrevem;
 embalam a tarde;

 Numa janela ouvem
 Sara Vaughan.

Passo  o domingo a dedilhar
 o tempo  no computador.

segunda-feira, julho 09, 2012

Coberta de Filó

Ela


 Dormem vestida de renda e filó.
Não pula, não fura fila; educada,
pede licença, entra na loja.

Assobia em fá,
em si, em dó.

Sem faca,
sem bala,

 sem fuzil,
usa apenas
um anel.



No quartel,
 vê soldados.
Todos soltam
assobios.

Sopra poeira cor de rosa,
decora a poesia grafada
no muro nas estradas do Brasil.



O sol nos morros



O sol invade quintais;
retarda a chuva no teto,
ilumina as casas de lona,
 caixas de papel e lata.

Um samba de Noel
embala o ar, alegra
o escuro dos morros.

Doura as mãos,
os rosários das senhoras.
Melhoram os dias sem sal,
água, açucar e pão.

Recolhem a batucada,
as vozes do samba.

Nos becos
poetas rimam
 humor e flor.

quinta-feira, junho 21, 2012




Desfazem-se as marcas
nas arcas do tempo.

Ventos novos chegaram.
Levaram o lodo colado
no bronze das estátuas,
guardiães do quartéis.

Não apagaram as estrelas,
da memória dos coronéis.

Nas ruas estavam os canhões.
Nas praças,as mãos abertas
pediam paz e pão.

Disparavam palavras de ira
dentro das casas fechadas
no mapa latino-americano.

Revoltas armadas...
cortinas de fumaça.

Nos ares,cacos de telha,
cavalos trotando nas pedras,
ferros retorcidos,
pneus em chamas.

II

Bocas nervosas,
sopram a coragem,
desfazem o medo.

{Muros e corpos foram ao chão}

III

Aprisionados,
sugam os pássaros,o orvalho.

Escrotos devoram as flores,
assassinam as árvores.









quarta-feira, junho 13, 2012

Poema Ridículo


É ridículo guardar
as páginas dos livros
que lias e rasgavas.


Ouço o eco das palavras
quando vias teu nome no sangue
dos pulsos quebrados.

É rídículo eu sei.

Mas se te esqueço,
mais vazia é a sala
onde sonhavas.


Mais ridículo ainda,
é vestir de saudade
o som dos poemas
que não lembravas.



Ainda leio teu nome
gravado nas pedras
das ruas por onde
passavas.

sexta-feira, junho 08, 2012

À espera do sábado




Manhãs carregadas de chuva,
abraçam o amor e as flores.

Deus desce do paraíso,
ouve e escreve recados.

Anjos tocam guitarras
à sombra das árvores.
os versos das canções
soam sem lágrimas.

Iluminado e perfeito,
o dias vestem as cores
e os corpos nas ruas.

Olhares e frutos
dialogam nas mesas.
Amigos desenham
as rotas do sol.

segunda-feira, maio 28, 2012

A Dor

a dor arranha assanha

assa corta a palavra 
aflita marcada nos pés.


a dor apanha a alma
na rua vazia.